O dia depois de amanhã

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As notícias, para não variar, têm sido tristes. Não pára, todos os dias somos bombardeados com situações que nos fazem temer pelo futuro daí que me pergunto: até que ponto um coração aguenta? Dependerá das pessoas, dirão voçês. E bem… acho.

Chega-se a um ponto em que nem há vontade de ligar a televisão, tal a morbidade com que, constantemente, somos confrontados. A isto juntamos um conjunto de outras preocupações como o stress decorrente do emprego(para quem tem, para quem não tem, o stress de não ter), os problemas familiares que surgem no seguimento de uma multiplicidade de coisas, as preocupações eventuais de saúde, enfim, juntamos tudo e temos a receita ideal para o esgotamento ou, em casos extremos, para o suicídio.

Como se contrapõe tudo isto? Há várias formas, com pensamento positivo, dirão uns, ou com fé em Deus, dirão outros… ou inclusive esperança que os nossos governantes saibam o que estão a fazer. Enfim, não sou eu que vou indicar o caminho a seguir, no que me toca, limito-me a sobreviver e a apoiar-me nas coisas boas que tenho na vida. Já me senti á beira do abismo mas não por causa de política. Aquilo que me faz viver não são um punhado de pseudo-intelectuais, não, não… Quem me faz viver são as pessoas que estão á minha volta, as pessoas de quem gosto e que retribuem o amor que sinto por eles, que me fazem sentir que significo algo neste mundo, as pessoas que representam o meu cais e que não me deixam andar á deriva.

A realidade é sombria, não há como negar. Quando olho á minha volta, vejo na cara das pessoas o semblante carregado, o sorriso resguardado, o olhar triste de quem não sabe o dia de amanhã. Tenho vontade de lhes dizer: “Cabeça para cima! Respirem… vai correr tudo bem…”

Mas não digo nada… não o posso fazer pois nem eu sei se terei um amanhã. A preocupação das pessoas está, por norma,  dirigida para os anos que se seguem, numa postura de prevenção para o que poderão encontrar não no amanhã imediato mas num amanhã longínquo, na certeza que estarão lá para o viver. Será? Hoje fui confrontado com uma noticia que me abalou de uma forma que não pensava ser possível e que me deixou a pensar que, mais do que pensarmos no futuro, seria bom pensar no nosso presente.

Por pouco não perdi um amigo. Alguém que faz o meu mundo parecer um mundo de cores se comparado com o que ele enfrenta… O Patrick é um amigo dos tempos passados em Paris com o menino. Foi alguém que me acolheu calorosamente numa realidade que eu tinha dificuldade em aceitar. Ele esteve sempre lá… sem me conhecer, esteve sempre ao meu lado estando ele próprio a viver uma situação dramática com a sua filha. Ele é um daqueles personagens que inunda de positivismo todos os que o rodeiam, que conforta com o sorriso e com a coragem que demonstra perante as adversidades da vida. Não lhe bastando a filha, também a sua esposa padece desta doença miserável. Para mim, admito, seria o fim… não acho que conseguisse aguentar tal fardo. Mas quando falo com ele, enfim, ás vezes fico desconcertado…. muitas vezes me perguntei se ele pertenceria a este mundo. Considero-me um priviligiado por tê-lo conhecido, precisava de uma dezena de pessoas como ele na minha vida mas creio que ele pertence a uma edição limitada, há um em não sei quantas milhares de pessoas no mundo.

É um irmão e quase o perdi… porque todos os corações têm os seus limites. Até um coração grande como o mundo…

Patrick, mon frêre de coeur, je te dedie ces lignes parce que je t’aime. Je te souhaite une bonne recuperation et je te promets qu’ on se verra un de ces jours… trés bientôt! bye

Boa noite!

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