As nuvens que vejo da minha janela

submarino

Chove a cântaros na Covilhã. O bom que tem de se ser “livre de funções remuneradas” é poder apreciar estes dias no aconchego de casa, ver a chuva cair ao som de Johnny Cash tem um não sei quê de reconforto…

Não falo por vocês mas estou cansado de noticias tristes e de políticos, cansado sobretudo de histórias tristes… vou mais longe, a politica em Portugal enoja-me de tal forma que chego a pensar que o masoquismo nunca esteve tão presente neste cantinho da Europa.  A palavra “Crise” domina o nosso vocabulário, cada vez que puxamos uma qualquer conversa sobre um qualquer assunto lá vem ela ocupar o seu espaço privilegiado, há crise na politica, no futebol, na educação, nas famílias, na justiça, enfim… Creio que o mundo se encontra numa encruzilhada, preso a vontades de elites e subjugado por interesses financeiros que minam as vontades das minorias. Preocupa-me o futuro. O meu mas principalmente o do meu filho… a história diz-nos que, de uma forma ou de outra, a humanidade consegue ultrapassar as crises, muitas vezes á custa do voluntarismo e da abnegação da classe trabalhadora, da inovação de recursos e, é certo, de sacrifício e de sangue derramado.

Muita gente olha para a inovação da tecnologia como um diamante em bruto, como a solução de todos os nossos problemas futuros mas sabem que mais? Não creio que seja assim… O sistema económico e financeiro assenta na capacidade da classe trabalhadora em produzir, funciona como um sistema de trocas, eu trabalho, produzo e recebo uma remuneração que permite o meu sustento e capacidade de contribuir com impostos para a sustentabilidade do meu país. Ora, a tecnologia assenta numa ideia de encurtar caminhos, de tornar mais barato a produção e serviços mais rápidos e eficientes. Mas se a tecnologia tende a substituir a mão de obra manual onde é que nós, pessoas, encaixamos?

A população mundial assenta, hoje, aproximadamente nos 7 biliões de seres humanos e a questão primordial é: será suposto todos produzirmos software e hardware? A meu ver, por este caminho, já nem para isso seremos necessários daqui a alguns anos. Penso que será muito complicado continuar este caminho, pura e simplesmente, o modelo desta economia não serve para os tempos que correm e torna-se urgente encontrar um novo modelo que nos permita trilhar outro caminho. Enquanto tal não acontecer não prevejo tempos felizes nos anos que se seguem… Mas isto sou eu a divagar, quem sou eu, certo? Existem tantos “experts” na matéria e não ouço nenhum falar nisto por isso é provável que seja uma idiotice.

Depois há a corrupção que existe em todos os sectores da nossa sociedade, livros são escritos mas tal como disse o exuberante Marinho Pinto, “é mais perigoso denunciar a corrupção que ser-se corrupto”. Um desses livros chamou-me a atenção e aconselho a sua leitura, chama-se “os privilegiados” escrito pelo jornalista Gustavo Sampaio. Elaborou um estudo que fala sobre conflitos de interesses, diz, por exemplo, que dos 230 deputados à Assembleia da República, 117 estão em regime de part-time e acumulam funções parlamentares com outras atividades profissionais no sector privado, muitos deles prestando serviços remunerados a empresas que operam em setores de atividade fiscalizados por comissões parlamentares que os mesmos deputados integram. Fantástico, não? Mais não digo… digo, sim, que pagar uma crise é uma coisa mas que as coisas não mudem é algo completamente diferente. Que ninguém seja responsabilizado por tudo isto é incompreensível daí que ache completamente normal que países como Angola (um perfeito exemplo de transparência!) não queiram mais conversa connosco. Vivemos num país corrupto, ponto final!

Sabem, quando ouço os nossos políticos, de diferentes partidos, naqueles deboches televisivos, em plena Assembleia da República, penso numa coisa que o meu avô me disse em tempos: “Se tiveres dois burros que não gostam um do outro, o melhor é atá-los á mesma carroça!”

P.S.: queria apenas dizer que dedico a escolha musical de hoje á Assembleia da República e afins, vocês sabem…

Boa noite!

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