Amigos do peito

amizade 3

A semana apenas vai a meio mas fui já confrontado com duas situações que me deixaram a pensar no que representa a palavra amigo. Sempre achei que a amizade podia ser um fardo… não no sentido literário da palavra mas sim numa perspectiva de responsabilidade.

Ser-se amigo de alguém implica compartilhar não apenas a felicidade mas também os outros estados de almas como, por exemplo, a tristeza. Sim, usufruir de uma amizade no seu estado natural é, sem dúvida alguma, a forma mais saborosa de conviver com alguém… de preferência com uma cerveja fresca e uns tremoços, certo? Pois… eu também gosto.

Assim, tudo é simples. Mas como sabem, nós não vivemos apenas de alegrias, enfim, sejamos realistas…. Vivemos mais de tristezas do que propriamente de alegria… Mas é aí que entra o sentido de amizade. Aquilo que procuramos numa amizade varia de pessoa para pessoa, arrisco dizer que um bom amigo tem de ser multifacetado, tem de estar preparado para corresponder consoante as manias das pessoas. Há aqueles que procuram o típico “tens razão” no fim de cada frase sua ou aqueles que que esperam uma risada tua por cada anedota contada, enfim, há para todos os gostos.

Eu sou pessoa para poucos amigos… dão muito trabalho. Honestidade brutal, eu sei, a verdade é que nunca soube gerir a questão de não ter os amigos reunidos no mesmo grupo. Nunca gostei de grandes confusões nem de andar á pressa para não ferir suscetibilidades. Mas, de vez em quando, acontecia… daí que a minha evolução nessa questão foi, simplesmente, redefinir o meu conceito de amizade. Paris foi peça chave no sentido de organizar o meu tabuleiro, aproveitando o facto da distância ser boa conselheira.

Penso que o Facebook é uma questão interessante de ser abordada, neste momento, porque tenho a convicção que o motor do seu grande sucesso são as possibilidades que as pessoas viram na sua utilização. Tanto agrada a quem quer ter dois mil amigos como agrada a quem tem 73 e que mesmo assim acha que são demais… Enfim, o facto é que somos animais sociais e temos dificuldades em viver sem o calor humano que uma amizade proporciona. Não sei se isto soou bem mas penso que percebem onde quero chegar.

Voltando á questão inicial, a primeira situação foi a de um amigo que me telefona, perguntando se estou em Castelo Branco, pedindo-me para comparar o preço de um jogo com a intenção de o oferecer ao filho no seu aniversário. De facto, era  mais barato e pediu-me para o comprar, coisa que eu fiz. No regresso a casa pensei nas vezes em que esta pessoa me ligou enquanto o meu menino esteve em Coimbra ou nas vezes em que ele foi o único voluntário para me ajudar. Pensei principalmente nas suas dificuldade financeiras. Ás vezes é chato ter-se consciência. Acabei por recusar o dinheiro mas a sua expressão nos olhos foi o suficiente para perceber que tinha feito o que estava certo.

A outra situação… Um amigo que, há já semanas, me telefonava para nos encontrarmos. Proporcionou-se e lá fomos beber um copo.  A meio da conversa, apercebo-me que algo muito grave se passa… ele falava e eu limitava-me a ouvir, sem saber muito bem o que pensar. Findo aquilo, levei-o a casa e quando saía do carro pediu-me desculpa por ter passado o tempo a falar-me do seu problema. Acabei eu a pedir desculpa por ter adiado tanto o encontro pois apercebi-me que aquilo lhe estava a rasgar o peito.

Por isso, vou aqui reproduzir uma história do Noddy que acabo de contar ao Simão. É assim, resumido:  O Noddy está com soluços, então os amigos tentam pregar-lhe sustos mas não está a funcionar… então a Ursa Teresa, que acho que é o amor secreto dele mas que não querem que se saiba, passa por ele sem lhe ligar nenhuma. O Noddy estranha e chama por ela… mas nada! Caminha até sua casa e tranca a porta. O Noddy fica tão tiste, que só tem vontade de chorar. Então, de repente, a Ursa Teresa abre a janela e pergunta: “já te passaram os soluços, Noddy?” Olha…

Finalizo dizendo o seguinte, ser-se amigo de alguém, no verdadeiro sentido da palavra, é efectivamente uma responsabilidade e não é preciso ser-se materialista, basta, tão só, saber ouvir…

Boa noite!

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