Simplesmente Maria

maria
Hoje vou falar-vos do meu encontro com Maria de Medeiros. Atriz de profissão, é uma das  portuguesas mais hollywoodianas do nosso pequeno Portugal, participando em filmes como Pulp Fiction ou Henry e June.
Costumo dizer que qualquer cidade é boa para passear mas no que toca ao trabalho estas deixam de ser assim tão apelativas. Paris não era excepção. Normalmente deslocava-me de metro, eram centenas de pessoas, todos os dias, aos encontrões, aos empurrões, á pressa de chegarem aos seus destinos. O stress sempre presente ao ponto de as pessoas ignorarem por completo a pessoa ao lado. Mas eu gostava… Quanto mais longo o destino melhor, adorava sentar-me (quando podia) e observar. Tentava entrar na mente das pessoas, perceber o que lhes ia na alma, identificar olhares ou perceber situações incómodas. Era um exercício relaxante, por mais estranho que possa parecer, sentia menos a solidão.
Foi um tempo difícil, não pelo trabalho, mais pela falta de companhia. Claro, tinha os meus pais mas sentia falta de mais qualquer coisa, sentia falta de compartilhar. Naquelas carruagens, sentia que não era o único com este estado de espírito daí que, de uma forma estranha, sentia-me confortado. Paris é uma cidade fantástica mas, a meu ver, toda aquela beleza presente sem ter com quem compartilhar era como comer uma torrada sem manteiga, perdoem-me a comparação.
Um dia o telefone tocou. Já a noite ia adiantada, quando a Odile me pergunta se a podia ir buscar ao aeroporto… não havia táxis. Assim que me refiz do choque desci, a correr, as escadas do prédio de 5 andares sem elevador onde vivia para ir acordar o meu pai, que vivia no prédio em frente. O homem já ia no 2º sono, imaginem… mas acordei-o e lá fui busca-la.
Não sei dizer quanto tempo passou, talvez um par de meses. Foi o tempo em que disfrutei realmente a cidade e isso só aconteceu porque ela estava comigo.
Há algum tempo, falamos sobre o assunto e ela dizia que não tinha sido um tempo muito bom. Ela sentiu aquilo que eu senti em todo o tempo que lá estive. Sentiu-se deslocada, sentiu a falta das pessoas de quem gostava mas para mim… aquele tempo foi o melhor que tive em Paris.
Já se devem perguntar onde entra a Maria de Medeiros na história, certo? Bem, na realidade não há história… Num dia de verão, saí do trabalho e fui ao café em frente ao meu local de trabalho. Encostei-me ao balcão e vi-a chegar. Sentou-se na esplanada. Durante os 15 minutos seguintes, estive em conflito comigo próprio a decidir se ia meter conversa ou talvez sacar um autógrafo… nada. Honestamente, o autógrafo não me interessava, em absoluto, mas teria sido bem interessante ter uma conversa com ela, tentar saber coisas sobre hollywood ou sobre a sua vida como atriz mas, como referi, era um dia de verão, estava a suar em bica, não quis fazer figurinha.
Hoje, penso que foram muito mais importantes os momentos que compartilhei com alguém que considero a irmã que nunca tive do que qualquer conversa que pudesse ter tido com a Maria ou qualquer outra celebridade.
A melhor parte da vida de uma pessoa está nos momentos que se compartilha com quem gostamos!
Boa noite!

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