O triste-alegre

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Isto hoje vai ser complicado… vou começar por dar os parabéns ao meu Benfica, golo fora de horas, outra vez. fazer o quê?! Não impliquem com o treinador, no que me diz respeito devia renovar já amanhã… uma pessoa disse-me há pouco que os jogadores deviam receber outros incentivos para os jogos, do gênero, não ganham, corta-se metade do ordenado… eu respondi que se isso pegasse moda, os jogadores do Sporting acabariam a época a jogar como voluntários. perceberam? vá lá, uma pequena anedota para desanuviar… honra ao Sporting e aos sportinguistas… adiante.   “triste-alegre”! Eis uma expressão que nunca irei esquecer, era o que o meu saudoso avô António me chamava… o “triste-alegre”! As recordações que isso me traz são tão saudosas que chega a doer… Ele chamava-me assim porque eu mudava de expressão de um momento para outro, quando chorava, ele dizia uma piada e eu abria logo o sorriso… Não passei tanto tempo com ele como deveria mas sei que era algo que ele gostava em mim. O contrário também se passava, sabem, o meu avô era pescador e, além de peixes, apanhava outros animais, entre eles tartarugas que ele trazia para casa e com os quais eu depressa ganhava afinidades. Um dia, chegado a casa do meu avô e acho que ainda antes de cumprimentar as pessoas fui procurar a tartaruga mas não a encontrei… perguntei á minha avó onde estava e esta respondeu-me que os gatos a tinham comido.
Meu deus, não podem imaginar a tristeza que me foi na alma. Mas o meu avô sabia como me dar a volta e levou-nos(a mim e aos meus primos) ao café onde tínhamos sempre direito á guloseima… tudo tranquilo até chegar a noite e a hora de jantar… Além de pescador, ele era caçador mas acima de tudo era um cozinheiro fenomenal. O peixe frito e a miga de peixe eram especialidades mas os pratos de caça eram igualmente fantásticos. E com a família junta, fazia questão de ser ele a encarregar-se do nosso bem estar( leia-se estômago). E não falhava um tempero… Bom, nessa noite não foi diferente e lá estávamos nós, á mesa, ansiosos para que os petiscos caíssem ali. E caíram. O meu avô traz supostamente um prato de caça para palitar, uma entrada para aguçar o apetite para o prato típico que era o peixe. E que bem me soube…. soube-me tão bem que comi, repeti, molhei o pão no molho e lambi os dedos. Literalmente! O meu avô ao ver-me tão satisfeito perguntou-me se eu sabia o que estava a comer, na minha ingenuidade, respondi que era coelho. E ele sorriu. E voltou a sorrir… até que me diz que a história da tartaruga estava mal contada. E não foi preciso dizer mais nada, saí a correr porta fora tentar vomitar o dito cujo… não conseguia aceitar que ele me tivesse enganado daquela maneira e fiquei sentido com ele durante algum tempo. Hoje sei que, aquilo que pareceu uma piada cruel, era na realidade uma dupla lição de vida. A primeira é que nem tudo o que sabe a coelho é coelho… a segunda, a mais importante, é que o mundo animal pode dar-nos sustento muito para além daquilo a que estamos habituados… só temos de ter abertura de espirito! Numa época de famina, podem ter a certeza que o meu avô não deixaria a sua família passar fome… bastaria o tempero certo!
Boa noite!