O que vale uma vida?

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Hoje vou falar de momentos. Sim, para variar… Mas desta feita, apetece-me falar de momentos de inspiração. O que origina a inspiração de fazer um golo fantástico no último minuto? de escrever um best-seller? ou de desenhar um carro de topo de gama? Pablo Picasso disse uma vez:  “que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando….”
Pois bem, sendo assim podemos partir do pressuposto que a inspiração seja algo etéreo, que seja algo que surja do nada mas que é grandioso. Mas será que surge do nada? Penso que não… no meu entender, existem fatores que influenciam o seu aparecimento como valores de vida ou até o fator humano. Considero como fator humano, pessoas que estão á nossa volta, familiares, amigos ou até pessoas que apenas conhecemos pela tv mas com os quais sentimos afinidade, orgulho ou inveja(porque não). Peguemos neste exemplo: Lance Armstrong. Falo por mim, a história de vida dele fascinou-me, superar um cancro, superar a morte certa e vencer de seguida 7 voltas á França em bicicleta? Vá lá, o que é que pode ser mais inspirador? Todos sabemos como isto acabou mas o certo é que ele foi exemplo e inspiração para milhares, arriscaria, milhões de pessoas…. hoje é uma fraude, certo, mas quantos jovens foram influenciados por esta história? quantos seguiram este desporto influenciados por ele?
Os textos que venho escrevendo desde há dias em formato de Diário ou de Crónica, como entenderem, são escritos na hora, acreditem, não é fácil olhar para um espaço vazio e criar algo então de onde me vem a “inspiração? Podia dizer-vos que vem do coração para fazer bonito ou que sou um talento nato na arte da escrita mas, convenhamos, não passa por aí… A minha inspiração tiro-a do que está á minha volta, de pessoas que me são queridas, de avaliações que faço da informação que capto no meu dia a dia… A minha principal inspiração vem de uma pessoa que já não está entre nós, alguém cuja morte ocorreu 2 semanas antes do diagnóstico da doença do meu filho.  Como se poderão aperceber, não dá para esquecer mas eu nunca o esqueceria de qualquer modo…. O seu modo de estar na vida, as suas convicções, a sua alegria de viver eram contagiantes. Tive a sorte de passar tempo com ele e só lamento não ter aproveitado mais. Era um homem de grande cultura, amante da música, do cinema, da leitura e da escrita… algumas pessoas gostam do que escrevo, pois bem, é a ele que se deve…  Tive a sorte de passar um ano em sua casa e muitas vezes nos sentávamos numa mesa a corrigir os meus textos quer para a escola, quer para o jornal onde em tempos trabalhei… Foram bons tempos….  e sinto falta deles. Não acompanhei os seus últimos meses como deveria e, sinceramente, não há inspiração que justifique o porquê.
É para ele que dirijo o texto de hoje, com muita saudade…
P.S.: Andreia, espero que não te importes. Este tributo também é para ti….