O amor cruel de uma vida

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A noite já vai longa mas fiz um compromisso comigo próprio de escrever um texto todas as noites de segunda a quinta com um intervalo de 3 dias para não se tornar demasiado pesado, quer para mim, quer com vem lendo as minhas histórias. Hoje tive um problema com um olho e era para deixar para amanhã. Mas sabem que mais, estou farto de deixar as coisas para o dia seguinte… Imagino que aja quem se pergunte o porquê deste repentino desejo de escrever vindo da minha pessoa principalmente quando num dos meus primeiros textos eu referi que não gostava de remexer nas minhas memórias, pois bem, é exatamente por isso… Tenho 36 anos, estou desempregado, tenho um filho que vive com o fantasma de uma doença que se tornou a fatalidade deste século, passo os meus dias em casa sem perceber o que devo fazer, limito-me ás tarefas diárias de levar e ir buscar o menino á escola, de o levar ás suas terapias semanais, eventualmente uma reunião de pais e lavar a loiça… Já disse isto, sinto-me perdido. Fiquei desempregado para poder acompanhar o meu filho na sua luta contra o cancro e agora não me consigo meter no mercado de trabalho, não estou velho mas também não estou novo e a história que trago de trás de mim não me ajuda… mas tenho uma esposa maravilhosa, a minha “June Carter” fazendo referência ao grande Johnny cash e o amor da sua vida, que equilibra o meu lado lunar e o meu lado solar. Ela merece mais do que aquilo que temos e essa sim, é a grande mágoa com que tenho de viver. Daí que escrever estes textos tornou-se uma forma de luta, uma forma de me dizer que não vale a pena fugir das tristezas da vida porque elas existem e têm de ser encaradas… de frente e de cabeça levantada. Sempre! Estou cansado de fugir… de esconder… de não deixar que as pessoas me conheçam. Tal como Johnny Cash, tenho um lado negro que por vezes parece querer engolir-me, todo o dia a dizer-me: ” não lutes, não faças nada, desiste porque não vales nada.”
Mas isso não vai acontecer, independentemente do que as pessoas possam pensar saber sobre mim, eu vou lutar porque a minha família merece e vou continuar a escrever para quem gosta de ler o que tenho para dizer.
E em relação ao meu filho, se dei a entender que o culpo pela minha situação, é uma inverdade. O meu filho é a luz que me ilumina todos os dias e se há coisa que me orgulha nesta vida é que posso dizer bem alto que estive, que estou e que estarei sempre ao seu lado nesta luta até que a morte nos separe…
Boa noite!