A sobrevivência

lost
Amigos, lembram-se da série “Perdidos”? Eu adorava essa série… para quem não sabe, era a história de um grupo de indivíduos sobreviventes de um crash de avião e que se viram confinados numa ilha desconhecida. Eles não se conheciam entre si e a série exibia retrospectivas pessoais em que podíamos seguir as histórias dos personagens antes, no momento e após o desastre. Depois tinha uma pitada de ficção científica que tornava a ilha fantasticamente misteriosa… Além disso, no andamento da história erámos constantemente bombardeados com questões acerca da ilha e acerca do destino das personagens que nos deixava agarrados á tv a desejar ardentemente conhecer as respostas… pelo menos eu ficava!  Eu praguejava a cada final de episódio, odiava tanto suspense…  e adorava ao mesmo tempo!
Como devem imaginar, para quem não viu, as personagens viram-se num ambiente estranho, com pessoas estranhas no meio de nenhures e a questão básica era: como sobreviver? Como é óbvio, ninguém estava preparado para aquilo, aliás nenhum de nós é preparado para esse tipo de situação… sobreviver tornou-se a palavra de ordem… nestas situações, o caos é o mais natural pois uns querem uma coisa, outros querem outra… mas neste caso surgiu uma voz que se impôs, não pelo volume, mas pela mensagem, pela ponderação e pela coragem de assumir uma realidade…
E estamos a chegar ao ponto que eu queria. A minha intenção não era propriamente fazer a descrição deste show televisivo mas sim utilizar o contexto desta série para dizer que me sinto “perdido”…  aos 36 anos sinto-me como perdido numa ilha que é o nosso país… mas o que me preocupa verdadeiramente é que não vejo nenhuma voz levantar-se para me acalmar. O meu filho, com 7 anos, viveu já o impensável para uma criança desta idade e vivo com a angustia de não saber se isto já acabou ou se estamos a viver um período de calmaria… antes de nova tempestade. Não sei nada! não sei qual o futuro da minha criança, não sei o futuro do nosso país nem sei o futuro do mundo… Mas sei uma coisa: todos nós temos o potencial de ser  “sobreviventes”.
Boa noite!