Memórias: sim ou não?

vida 2
“A minha vida dava para escrever um livro!”.
Quantos de nós não ouvimos essa frase? Quantos de nós não pensámos nisso aquando de alguma situação surreal? Bom, eu ouço essa frase todos os domingos, é uma das preferidas da minha sogra. Não, não vou dizer mal da minha sogra, tranquilos…
Pelo contrário, acho admirável a capacidade que ela demonstra de relembrar o seu passado, principalmente um passado que não foi meigo com ela. Apesar disso, ela fala das suas memórias com um amor inusitado, era de supor que quando nos acontece tanta coisa má tivéssemos tendência para “esquecer” tais momentos. Pois é de momentos que eu queria falar, ao fim e ao cabo, a vida resume-se a isso… não conhecemos o nosso futuro, óbvio, mas conhecemos o nosso passado. No que me toca, tenho a tendência de evitar falar dele… não por ter vivido grandes dificuldades, não passa por aí mas no meu passado (como para qualquer um) existem coisas boas e outras que, enfim, nem por isso.
É algo que causa estranheza á minha esposa… espanta-se por eu dizer que não há grande coisa para falar. Acha estranho que eu não fale da minha infância, de antigas namoradas e afins. De facto, é-me difícil falar sobre águas passadas pois não sinto necessidade, nem vontade, de remexer nas minhas memórias… gratas ou não. Percebo que negar as memórias é negar aquilo que somos enquanto indivíduos, ao fim e ao cabo, a nossa personalidade é composta por fatores como as memórias,  as vivências ou o ambiente que nos rodeia. Não sei se nego ou se faço apenas a  retenção do necessário, o certo é que, como já acima referi, louvo pessoas como a minha sogra, que olham para trás sem temores, sem orgulhos feridos, mesmo que a mágoa exista por isto ou por aquilo… Gostava de ser assim mas não sou. Na minha velhice, quem sabe… talvez o meu filho venha a ter mais abertura para aprender com a minha experiência do que aquela que eu tive para com os meus pais. Mea culpa, é um facto!
Para acabar deixo esta frase de Thornton Wilder: “Apenas podemos dizer que estamos vivos naqueles momentos em que os nossos corações têm consciência do que estimamos.”
Boa noite!