Uma última risada… só para ti!

robin

Todos nós temos coisas que nos distinguem. Coisas tão distintas como a apetência para o desporto, para a culinária, para o aventurismo em geral, para a escrita, porque não? Certo é, que todos nós estamos direcionados para algo, por mais insignificante que possa parecer aos nossos olhos(ou aos dos outros). A aplicação destas distinções é outra questão, há quem consiga aplicar, com sucesso, essas qualidades no seu dia a dia, tirar dividendos que resultam num sentimento de auto-satisfação ou, se quiserem, a chamada realização pessoal… A questão do milhão de euros (adoro esta expressão!) é saber até que ponto este sentimento de satisfação pode perdurar. Será que perdura? O que passará pela cabeça de um atleta de alta competição quando vê a sua carreira chegar ao fim? Principalmente, tendo em conta que as suas carreiras acabam por volta dos 40 anos… sim, e depois?! O que passará pela cabeça de um escritor que consegue um best-seller antes dos 40 anos? ou de um Chef que consegue o top de estrelas Michelin para o seu restaurante? Já agora, o que passará na cabeça de um ator já oscarizado, na casa dos 60 anos?

Bem, na minha opinião(e é só isso mesmo) penso que ninguém consegue viver totalmente realizado durante muito tempo, não porque não se queira mas porque não é possível. Porquê? porque sim. Porque a sociedade coloca-nos entraves, o corpo e a mente colocam-nos entraves, a vida coloca-nos entraves e porque temos medo. Sim…  o medo de perder aquilo que se conquistou, o medo de perder a adrenalina do momento, o medo de deixar de ser reconhecido, enfim, medo de cair do pedestal em que nos puseram, ponto.
Seja como for, o resultado será sempre o mesmo, a questão será como lidar com a situação. Há quem assente a sua felicidade na família, na caridade, em pequenas coisas que lhes dá alegria. Perdurar no mundo de onde viemos noutras funções por vezes também pode trazer a chama que já não se sentia. Enfim, existem escapatórias diversas para que o nosso mundo continue a fazer sentido. Mas alguns não as veem… A complexidade do ser humano faz com que não seja possível encontrar soluções simples para todos. Creio que um bom psicólogo diria que cada caso é um caso. É a tristeza da vida… tanto dá como tira!
Escrevo este texto com Robin Williams no pensamento. Estou triste. Não o conhecia pessoalmente, evidentemente… Mas gostava do trabalho dele. Muito. É verdade que muitos trabalhos dele não constam das minhas preferências mas os poucos que tenho bastaram para que ele constasse numa das minhas personalidade preferidas…
Acredito que Robin Williams tenha ganho o respeito dos seus pares sendo ele próprio… Poderemos nós dizer o mesmo? Fica a reflexão ao cuidado de cada um de vós… hoje não há música, hoje deixo-vos com um dos meus momentos favoritos deste ator e que, creio, exemplifica bem a capacidade de fazer rir que este senhor tinha e, garanto-vos, que as gargalhadas que se seguem não são resultado do trabalho destes atores, são completamente autênticas. Pois assim era o homem, autêntico!

 

Adeus, Robin… e boa noite!

O CUSPO DA REVOLTA

esperança

Faz tempo que eu não escrevia, não por não ter tempo, desse tenho de sobra, bem, não é assim tanto mas a verdade é que ando ocupado com um outro projeto pessoal, um projeto adiado que espero, finalmente, concretizar mas para já, gostava de deixar aqui umas palavras dedicadas á nossa seleção.

O pessimismo anda no ar… é natural, eu próprio estou a escrever no sentido de apaziguar o nervosinho miúdo que estou a sentir. Sabem, a seleção diz-me muito… já em criança, o futebol dizia-me pouco, um pouco á imagem do meu filho, eu não tinha paciência para ver futebol, preferia de longe o D’ artacão… foi no campeonato do mundo de juniores disputado em Lisboa que me estreei realmente a ver futebol na tv, foi aí que comecei a apreciar o desporto rei, a geração de Rui Costa, o tal que o presidente do Sporting não conhece, de Luís Figo, de João V. Pinto e afins… Foram eles que me fizeram acreditar que no futebol tudo é possível, basta acreditar, enfim, basta sentir a força do querer…

A verdade é que, á semelhança de milhões de portugueses, a minha fé está num nível muito baixinho, custa manter a chama acesa depois daquela estreia no Mundial. Mas… porque tem que haver sempre um mas, esforço-me por dizer que é possível, que o jogo com a Alemanha foi uma falsa partida e que, na dificuldade, estes jogadores, estes homens que nos representam vão levantar a cabeça e vencer a adversidade, contra tudo e contra todos quantos estejam descrentes, eu incluído…

Sabemos que o futebol se tornou um negócio para megalómanos, que outros valores hoje se levantam que não aqueles apenas tidos ao campo de jogo. Essa será, provavelmente, a grande dificuldade com que se depara Portugal, um pouco á semelhança do estado do país em geral em relação a uma Europa que nos engole e nos cospe na cara uma e outra vez. Já fui cuspido por isso conheço bem a sensação, o sentimento de humilhação é algo que nos rebaixa… É assim que a seleção de Portugal se sente, desde os jogadores ao staff técnico, todos sentem que os portugueses lhes cuspiram na cara.

Podem crer que vai haver revolta, de que forma esta se vai manifestar não consigo prever mas quero acreditar que esta será uma revolta “á la Suécia”…

Queria deixar uma palavra para homenagear Rui Costa, o tal que o presidente do Sporting conhece, por mais um feito histórico… são estes momentos que fazem o nosso orgulho florescer e nos faz acreditar que tudo é mesmo possível.

Que as sensações voltem… Força Portugal!!

Boa noite!

A caminho da lenda…

eusébio

Sabes, a mais pequena coisa pode mudar a tua vida. Num ápice, qualquer coisa acontece por acaso, inesperadamente, e lança-te numa rota que nunca traçaste, num futuro que nunca imaginaras. Onde te levará? Esse é o percurso das nossas vidas, a busca pelo “Santo Graal”!

Todos nós sabemos o teu nome… inteiro… é daquelas coisas que provam como um homem pode fazer a diferença. Nasceste em Moçambique, costumavas faltar às aulas para jogar descalço futebol com os teus amigos em campos improvisados com bolas de pano. Partiste em direcção a Portugal com  apenas 17 anos e já levavas contigo, além de uma pequena mala, a aura de génio que virias a ser, foste disputado por Benfica e Sporting assim que puseste o pé fora do avião, já em território português! Assinarias pelo Benfica, graças aos deuses, ajudando a colocar o Benfica num patamar de nível mundial. Quando algum dos nossos filhos ou netos nos perguntar: “Porque é que tanta gente gosta do Benfica se o Porto ganha quase sempre?” dir-lhes-ei isto: ” filho, é porque Eusébio jogou pelo Benfica e nesses anos o Benfica foi o melhor clube do mundo.” E se me perguntar porque é que Eusébio foi tão importante, digo-lhe que os grandes jogadores de futebol são aqueles que aparecem nos momentos grandes, nos momentos em que a equipe mais precisa deles. Foste um desses jogadores. Falarei  como derrotaste o super brasil de pelé ou como levaste a selecção e o Benfica aos pícaros do mundo através dos golos que, domingo após domingo, levantavam os estádios por onde passavas.

Foi um acordar triste. Fomos todos apanhados desprevenidos com a notícia da tua morte, agora sabemos o que sentiam os guarda-redes adversários quando viam a bola anichar-se nas redes das suas balizas.  Há mortes que sentimos mais que outras, no que me toca, tirando o choque inicial não creio que seja uma morte triste. Foste brindado com uma boa vida passado os tempos do futebol, viveste a tua juventude como poucos o podiam, naquela altura. Foste homenageado, em vida, pelo teu clube do coração, com uma estátua em frente ao antigo estádio da luz onde tantas alegrias deste aos benfiquistas e viste uma competição ser criada em teu nome. Então e a selecção?

Com a ajuda do wikipédia digo-te o seguinte, fizeste 41 golos em 64 jogos enquanto que no Benfica fizeste 638 golos em 614 jogos. No total da tua carreira fizeste 766 golos. Mas isso já sabias, nunca te vi jogar, com muita pena mas vi-te em imagens que nos foram disponibilizando ao longo do tempo. Mas não posso dizer que te vi jogar ao vivo, isso sim, teria sido algo.

Se tivesse tido a oportunidade de me despedir de ti, de te dar o meu adeus, em vida, dir-te-ia que foste, e continuarás a ser, um herói de gerações. Que todos iremos sentir a tua falta, que morres como homem mas não morres como lenda…. Mas o bom que têm as lendas é que, mesmo depois da morte física,  a sua luz perdura ao longo dos tempos e a tua, “Pantera Negra”, nunca se apagará.

Toda a gente tem o seu destino, nem todos escolhem segui-lo. Eusébio da Silva Ferreira fê-lo…

Boa noite!